"Toque, nó, chama: como distinguir uma seda autêntica de um poliéster ou uma viscose. Guia prático da Maison comense."
O mercado está cheio de "lenços de seda" que de seda não têm nada. Poliéster brilhante, viscose estampada, misturas anónimas: a um olhar distraído podem enganar, mas algumas provas simples revelam imediatamente a verdade. De quem trabalha com a seda todos os dias – no distrito de Como – eis as sete provas que usamos para reconhecer uma seda verdadeira.
A prova do tato. Uma seda autêntica é fresca ao contacto, escorregadia, ligeiramente irregular na mão. O poliéster é uniforme, "plástico", por vezes até pegajoso à temperatura ambiente. Esfregue o tecido entre os dedos durante dez segundos: a seda verdadeira aquece devagar e redistribui o calor; o poliéster permanece frio ou sobreaquece de forma inesperada.
A prova do nó. Faça um nó no lenço e puxe com delicadeza: uma seda autêntica conserva o nó por um instante e depois desfaz-se num caimento natural, sem dobras rígidas. O poliéster ou o nylon saltam de volta, ficam vincados, ou impõem uma dobra seca que não corresponde à cascata macia da seda.
A prova do fogo (a realizar com prudência, sobre uma franja da bainha). A seda verdadeira, fibra proteica, arde lentamente, encolhe-se, deixa uma cinza friável e negra e um odor característico de cabelo queimado. O poliéster funde, forma uma bolinha dura e cheira a plástico químico. É a prova mais definitiva, mas requer atenção e faz-se apenas sobre uma fibra de refugo.
A prova da luz. Mantenha o lenço contra uma fonte de luz. A seda verdadeira reflete a luz com um brilho profundo, facetado, que muda de cor consoante o ângulo (um efeito chamado "iridiscência"). O poliéster reflete de modo plano, uniforme, quase metálico. Quanto mais um lenço parece "cintilar" de forma constante, mais provável é que não seja seda.
A prova do preço. A seda verdadeira é cara porque é cara de produzir: são necessários cerca de 2.500 casulos para um metro de tecido. Um lenço de pura seda abaixo dos 40–50 euros é estatisticamente improvável. Desconfie dos preços demasiado baixos: não é esnobismo, é matemática da cadeia produtiva.
A prova da etiqueta. A normativa italiana e europeia obriga a indicar a composição exata do tecido. Procure "100% seda" ou "100% silk". Etiquetas genéricas como "seda natural", "seda-poliéster" ou "tecido sérico" são sinais de alarme: normalmente significam que a seda é minoritária ou está ausente.
A prova da bainha. Uma seda de qualidade tem a bainha cosida à mão – um "rouletté" enrolado para dentro – não cortada à máquina nem termo-selada. Este pormenor distingue um lenço de luxo de um industrial: a bainha à mão é impossível de imitar a baixo custo.
Com estas sete provas, em dois minutos, percebe-se se aquilo que se tem na mão é mesmo seda ou uma imitação. É o mesmo procedimento que usamos internamente para cada lote que entra nos nossos laboratórios, antes ainda de passar à estampagem ou ao corte.




